sábado, 7 de novembro de 2009


O PEÃO QUE LAÇOU O AVIÃO
A Verdadeira História


Dia 20 de Janeiro de 1952, bem no coração do Rio Grande do Sul, mais uma vez o gaúcho deu provas de seu espírito arrojado de pioneirismo. Em pleno aniversário de criação do Ministério da Aeronáutica, um peão de fazenda resolveu comemorar de outra maneira, laçando as asas do progresso! Foi no interior de Santa Maria, mais propriamente na fazenda Tronqueiras, em Arroio do Só, que o fato histórico e único marcou a vida de duas pessoas: Irineu Noal e Euclides Guterres.

O jovem piloto Irineu Noal, então com uma prática de 20 horas de vôo, naquela tarde decolou para aquele que deveria ter sido apenas mais um vôo local. Ao sobrevoar a Fazenda Tronqueiras, embicou o “Paulistinha” numa série de rasantes sobre a mesma espantando umas vacas que o peão Euclides acabara de apartar.
As passagens sobre a casa grande e a mangueira, acabaram por mexer com a índole do peão, que passou a mão no seu “treze braças” e o arremessou por diversas vezes em direção ao pequeno monomotor, que a cada arremetida passava mais baixo, num verdadeiro desafio ao laçador.

E foi ali, senão quando, que numa dessas cruzadas o laço cortou o espaço e cerrou a armada grande bem no nariz da aeronave. Estava feito! O motor pipocou algumas vezes, perdendo altura, para depois nivelar e sumir em direção a Santa Maria, levando preso na fuselagem um pedaço de laço gaúcho, treze braças, quatro tentos, couro-crú; prova inconteste da habilidade vaqueana de um simples peão de fazenda.


Tal fato encontra-se registrado em jornais da época ( A RAZÃO, DIÁRIO DE NOTÍCIAS, ALMANAQUE DO CORREIO DO POVO e até na TIME americana, que circulou dia 11 de fevereiro de 1952). A Base Aérea de Santa Maria também mantém em seu acervo vários jornais e revistas da época, relatando a incrível façanha do peão Euclides Guterres, que acabou ficando conhecido como rei do laço. O piloto acabou tendo seu brevet caçado, e até hoje guarda a hélice do “Paulistinha” com o pedaço do laço. Euclides já é falecido, mas seu feito o tornou imortal, visto que em tempo algum repetiu-se tal proeza no mundo! É mais um feito heróico que ninguém tira do Rio Grande!

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